20101026
A SOLIDÃO
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é a forma como ele se sente quando está solto dentro dele.
não paira, não flutua. não tem onde agarrar. não se segura àquilo que o prende, não prende aquilo que o segura.
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a solidão não é coisa permanente mas às vezes ele sente-se só. nesses dias persiste. persiste na ideia que passa, que um dia a solidão lhe passa! que um dia a solidão lhe saberá a pura Liberdade!! ....por agora, estar solto tem sido estar só.
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nesses dias, em que quando se olha só se consegue ver assim, os lábios retraem-se. encolhem-lhe a confiança, que encolhe, encolhe até não mais poder encolher. depois passa para os ombros, também encolhidos, numa antecipada dor que lhe vai quebrando a inababável persistência.
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a verdade é que ele está mais baixo, consumido pela invisível pequenez que é estar só. ninguém vê. até ele, só depois reparou que não ter onde segurar é mesmo estar suspenso no vazio. até esse dia, ele sentia-se inquietantemente solto, assim, sem amarras; perturbadamente livre! só depois reparou que não andava feliz. dentro sabia.
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a solidão tem-lhe devorado todos os dias um bocadinho do que ele é, e resta pouco mais do que a soma das duas pernas, dos dois braços, dos dois rins e dos dois pulmões. o coração consumiu-se algures, junto com o baço e a visícula biliar.
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estava de facto mais pequeno, assim, sozinho. ninguém notou, ele sabia.
e doía como uma zanga, como se fosse tecido fraco que se rasgava silenciosamente. doía assim, como uma zanga muda.
20100909
a história da "adversária"
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o que me intriga em algumas mulheres é gostarem ou sujeitarem-se a competir por um homem. tenho dificuldade em entender o que é que passa na cabeça de uma mulher que corre a maratona da disputa lado a lado de uma ou mais "adversárias". será que é porque imaginam o querido a fazer de meta com uma garrafinha de isostar só para elas, pelo esforço, na mão? porque acham que são melhores do que as "adversárias" e estão dispostas a prová-lo? por mostra de sacrifício/subserviência?
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pela aparente estoica cabronice com que vejo algumas mulheres a passar rasteira à coleguinha maratonista tenho a dizer que mais valia serem mulheres o suficiente para socar o seu homem-meta quando lá chegassem (mesmo que viessem com os bofes literalmente de fora!). muitos casos há de mulheres que desconhecem as "adversárias", porém, o cenário de hoje não contempla disputas ocultas; é mesmo sobre aquelas mulheres que se sujeitam a partilhar o balneário - que é como quem diz, mulheres que sabem que estão a competir e com quem estão a competir - o que me leva a dizer que são mulheres que estão envolvidas o suficiente numa história para saberem que o querido vai dando palavras de incentivo às ditas "adversárias". nesse processo, as mulheres competitivas, duras com as adversárias, ficam, imagine-se, doces, inquietas e suadas à espera da próxima palavra de incentivo do macho alfa: tu, bem... és incrível! (funciona mais do que dois litros de isostar!)
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bem sei que todos gostamos que nos passem a mão no pêlo, que nos façam sentir especiais, que somos importantes, que o mundo fica melhor quando estamos perto mas uma mulher que calça os saltos altos para correr atrás de um homem numa declarada competição é uma patareca; da mesma forma, um homem que fantasia com a imagem de sultão e tenta pô-la em prática, não quer uma mulher com carácter ao lado dele, quer adulação.
há sempre espaço para engano mas a história da "adversária" é um grande alerta. uma mulher que se preze não entra em competições, sobretudo porque isso revela um homem que gosta mesmo é de vassalagem; e essa estirpe, com toda a certeza, não vale a pena. homens a fingir só precisam de mulheres a brincar (ou para brincar - incontornável piada fácil).
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como é óbvio, como hipotese, da mais plausível à mais evidente (sendo essa evidência turvada pela inebriada paixão), todos os homens que se afigurem como possibilidade valem a nossa corrida, o nosso investimento, a nossa entrega. porém, a dois: porque os dois querem, porque estão dispostos e porque os dois decidiram arriscar, ver no que dá. e aí, enquanto se percebe, as provas de que vai valendo a pena são dadas entre pares, de um para o outro. e é só aí que se percebe se vale a pena; não enquanto estamos mais atentas e simultaneamente distraídas com as atitudes da adversária, não enquanto estamos à espera que a outra desista ou determinadas em provar que somos melhores. não enquanto nos congratulamos com o rol de mulheres que estão sedentas de nos saltar para cima, não enquanto recebemos pancadinhas nas costas da nossa aparente virilidade. definitivamente, não enquanto escolhemos mover-nos na superficialidade. isso é patetice.
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competir com outras mulheres por causa de um homem é mesmo coisa que me ultrapassa. prefiro facilitar-lhes a vida, a elas e a eles. não é por nenhum altruísmo ao estilo do "quero muito que eles sejam felizes"; é só mesmo por achar que competir com uma mulher por causa de um homem é um preenchimento de egos furados, tal como de um homem que me coloque nesse lugar, para além de adivinhar que mais cedo ou mais tarde me vai dar vontade de atirá-lo pela janela, desconfio seriamente que não os tem no sítio.
20100427
(hoje)
20100328
LISTA NEGRA [II]
20100224
quando o pessimismo me diverte. e me toca, no doce e na ironia.
...e são sempre as pequenas coisas. [...] aquelas que tu não vês, as que nem sequer conheces. e o cansaço pode-te fazer cair devargar. e a tristeza pode-te fazer cair devagar. mas os cordões desapertados fazem-te cair depressa. e é humanamente impossível prever porque o duende fá-lo com magia e a magia não se vê! [...] por isso o melhor é não dar grande atenção a seja o que for. o que tem que acontecer já aconteceu e o que nós queremos que aconteça vai acontecer, mas noutra altura, noutro sítio e, provavelmente, a outra pessoa.
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as coisas pequenas, do livro Luto Lento, por João Negreiros - link
20100220
20100217
observação trivial
20100125
aquilo que nós procuramos neles:
..(somos parvas.)
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QUANDO NÓS TEMOS MENOS DE 20,.
(ainda não ficámos parvas...)
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QUANDO NÓS TEMOS MAIS DE 30,
(já deixámos de ser parvas!)
[well given info for free. no doubts, no sketches! =Pp]
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e não deixa de ser engraçado como isto vem ao encontro de uma esclarecedora conversa sobre nós. simplificamos, complicamos, para voltar a simplificar. é preciso. só assim a simplicidade ganha a merecida densidade. antes só parece ligeira. e pronto... resta agradecer a Deus, aos Santinhos e à Mãe Natureza porque já vamos a mais de metade do caminho desta década de parvoíce instalada. =D
20100118
acasalar
20100111
small chat
e os príncipes?
os príncipes aparecem quando a princesa está em perigo.
não amor, a princesa fica em perigo é quando o príncipe aparece.
20091229
20091217
OS BEIJOS
20091126
QUAL É O SEXO DO SEU CÉREBRO?

20091125
SÃO DOIS BILHETES S.F.F.
20091111
HÃO PALAVRAS
20091108
UMA CAPACIDADE QUE INVEJO NOS HOMENS:
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20091101
SELECÇÕES
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20091030
O QUE MAIS ME CHATEIA
A. C. Jobim . How Insensitive
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[mas pronto, depois há sempre espaço para as coincidências, como ter descoberto esta enquanto andava à procura da outra.]
NA CONSEQUÊNCIA DE UMA IDA À MODISTA:
20090911
11''09'01 - 11 PERSPECTIVAS (2002)
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Sean Penn . EUA [nota de rodapé: a alienação do individualismo]

