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20101024

o tempo de gestação de um rascunho pode ser longo.

(é que hoje podia fazer de conta que não tenho um arranhão na perna, e que a crosta não me está a dar comichão. mas está. é daqueles dias em que podia muito facilmente arrancar a crosta e deixar-me de estoicismos. o problema não está em chegar à perna, esse gesto é fácil, um pequeno movimento e livro-me da comichão. também não está no estojo de primeiros socorros, é um arranhão vá. o problema é mesmo a ferida; é a ferida e a vontade de perceber porque é que hoje há qualquer coisa que me impele a ignorar que já a desinfectei.
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os arranhões raramente deixam cicatriz mas enquanto a crosta não cai não dá para não notar no malho que demos. hoje, se me pedisses a perna, eu estendia-a... só não sei se a pousaria no teu colo ou se te daria um coice!)

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hoje tenho dói-dói!
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22.8.9
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depois descobri que o golpe era maior; continuei a andar mas demorei um tempão a recuperar do coice que afinal tu me deste.
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20091030

esta etiqueta.

gosto do momento em que decidi criar esta etiqueta. lembra-me que os meus pensamentos também lutam pela liberdade. ...mesmo que haja um certo desajuste cronológico, continuam a ser oportunos, quanto mais não seja no particípio passado. ou na expressão cubista.
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20090820

SOMOS SEMPRE AQUILO QUE SOMOS MAIS FACILMENTE.

quando estamos motivados vamos sempre além de nós quando vamos ao encontro de alguém ou de alguma coisa. a procura tem esse efeito, e não é por alienação da identidade, é por vontade de amplia-la. ...passamos a ser aquilo que somos aquilo que somos menos facilmente.
ir ao encontro implica abdicar de algumas facilidades: implica por exemplo sair mais cedo da cama, ou sair de casa quando já tinhamos o pijama vestido. querer alguém ou alguma coisa dentro da nossa facilidade implica um compromisso com a dificuldade. aceitar esse desafio é dizer sim a uma necessidade.
quando suprimimos essa vontade, deixamos de despir o pijama, de manhã ficamos na cama e voltamos a ser aquilo que somos mais facilmente.

20090808

COMO É QUE AS COISAS SE TORNAM IMPORTANTES?

depende da forma como nos deixamos ser tocados por elas.

20090610

A Gente Vai Continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso. O que lá vai já deu o que tinha a dar. Quem ganhou, ganhou e usou-se disso. Quem perdeu há-de ter... mais cartas para dar... E enquanto alguns fazem figura, outros sucumbem à batota, chega aonde tu quiseres mas goza bem a tua rota.
Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar a gente não vai parar, enquanto houver ventos e mar...
Todos nós pagamos por tudo o que usamos. O sistema é antigo e não poupa ninguém, não. Somos todos escravos do que precisamos... Reduz as necessidades se queres passar bem... que a dependência é uma besta, que dá cabo do desejo e a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo
Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar, a gente não vai parar enquanto houver ventos e mar.
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Jorge Palma

20090603

QUE SE PONHAM AO LARGO!

a ausência de noção é a coisa que mais me incomoda no ser humano. infelizmente conheço algumas criaturas patologicamente diagnosticadas.

20090120

LIBERDADE

CONDICIONAL&INCONDICIONAL
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ser-se condicionalmente livre é não optar pelo facilitismo. é aceitar a dificuldade dos laços, dos nós que damos em nós. é ter prazer na nossa individualidade perspectivada em partilha, é sermos uma saia. uma saia cintada e esvoaçante, com uma baínha de pontas...onde nos podemos atar. ser-se condicionalmente livre é saber Dar*.
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ser-se incondicionalmente livre é saber amar a nossa sombra. amarmo-nos em exclusividade. requer a incrível capacidade da auto-contemplação ou da contemplação dos outros sobre nós, sendo estes outros criaturas com função bate-palmas. desempenhar é fácil, e dura somente o tempo de uma ovação. também eles, os outros que aprederam a amar-se em exclusividade, saem daquela sala para outra e passam a ser senhores-do-palco, de braços estendidos para adolação. no fim, todos se abraçam e se beijam e se estimam na fugacidade da inversão dos papéis desiguais de sala para sala. senhores-do-palco e bate-palmas. são assim, incondicionalmente livres. sabem dos outros para saberem de si. dos outros sabem como lhes batem palmas: sabem de cor o ritmo, a duração, os decibéis e são profundamente melhores no infinito espaço da sua liberdade incondicional. são livres na sua imensidade: clap, clap, clap!! oh quão infinita a grandeza destes destemidos heróis de ouvido apurado!
não lhes bato palmas, dão-me um certo asco. detesto pedantice, sobretudo emocional.
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*cá em mim desconfio que se as pessoas soubessem Dar, ficariam menos indignadas com aquilo que acabam por receber. nunca vi saias travadas que facilitassem ir ao encontro do que quer que seja.