20090120

LIBERDADE

CONDICIONAL&INCONDICIONAL
.
ser-se condicionalmente livre é não optar pelo facilitismo. é aceitar a dificuldade dos laços, dos nós que damos em nós. é ter prazer na nossa individualidade perspectivada em partilha, é sermos uma saia. uma saia cintada e esvoaçante, com uma baínha de pontas...onde nos podemos atar. ser-se condicionalmente livre é saber Dar*.
.
ser-se incondicionalmente livre é saber amar a nossa sombra. amarmo-nos em exclusividade. requer a incrível capacidade da auto-contemplação ou da contemplação dos outros sobre nós, sendo estes outros criaturas com função bate-palmas. desempenhar é fácil, e dura somente o tempo de uma ovação. também eles, os outros que aprederam a amar-se em exclusividade, saem daquela sala para outra e passam a ser senhores-do-palco, de braços estendidos para adolação. no fim, todos se abraçam e se beijam e se estimam na fugacidade da inversão dos papéis desiguais de sala para sala. senhores-do-palco e bate-palmas. são assim, incondicionalmente livres. sabem dos outros para saberem de si. dos outros sabem como lhes batem palmas: sabem de cor o ritmo, a duração, os decibéis e são profundamente melhores no infinito espaço da sua liberdade incondicional. são livres na sua imensidade: clap, clap, clap!! oh quão infinita a grandeza destes destemidos heróis de ouvido apurado!
não lhes bato palmas, dão-me um certo asco. detesto pedantice, sobretudo emocional.
.
.
*cá em mim desconfio que se as pessoas soubessem Dar, ficariam menos indignadas com aquilo que acabam por receber. nunca vi saias travadas que facilitassem ir ao encontro do que quer que seja.