20090808

RETRATO DOS 15 ANOS

daquela porta para dentro vai aquela confusão que mãe nenhuma entende. os amigos acham fixe. as amigas torcem o nariz. so ele faz frente à confusão; para todos os outros, encontrar seja o que for é uma autêntica caça ao tesouro. diz que está logo ali, na terceira prateleira, por baixo dos livros e dos dossiers e dos bilhetes. e da lanterna. e das luvas de boxe. ninguém encontra... o tempo acumula-se. nenhum aspirador pode sugá-lo.
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jazem nas prateleiras os recados clipados em fotografias, na esperança da reissurreição. ó filho, como é que consegues fazer alguma coisa nesta desordem? Eu cá me entendo. Na cómoda vê-se um ou outro deslizar dedos , como quem constacta que uma limpeza até seria bem-vinda não fosse ter-se afeiçoado aos acáros. tem sorte não ser alérgico, diz a tia-avó, fosse eu...
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quando recebe os amigos diz-lhes para arredarem a tralha do maple e lá se sentam e conversam durante a tarde. o sofá não fica nada confortável só com ele, por isso, quando vão embora, revolve a tralha e volta a colocá-la delicadamente sobre os almofadões. no quarto, às vezes a conversa crispa-se: se parece bem receberes os teus amigos assim. oh mãe, não me chateies, eles nem se importam... meu filho, isso nem parece teu, convidas os teus amigos para virem, ao menos davas um jeitinho no quarto, não achas? (...) a irmã mais velha bate, entra e pede-lhe emprestados os óculos de mergulho. onde é que estão mesmo? na porta da saída!! - respondeu-lhe.