20090831

Aquilo que há*

há o reconhecimento dos locais, a atenção desviada em torno do processo de adivinhação. há a descoberta de caras que sempre fizeram parte dos finais de tarde, da escola à rua dos candeeiros. há a confusão do making of e da narrativa tardia. há o detalhe nos planos e um cuidado imenso em transportar a realidade física para a realidade encenada, tão grande que às vezes uma se incorpora na outra. há a procissão, em que Nossa Senhora das Dores cruza com a Nossa Senhora da Saúde e nesse instante se dão milagres reais que só a fé sustenta. há propositadamente, o mesmo enquadramento, agora no tempo da estória, em que ele e ela falam sobre o desaparecimento dela enquanto as santas seguem nos andores. há genealidade. há um desdobramento óbvio da narrativa ficcionada e há um retrato ao jeito daquelas fotografias que nos tiram quando não estamos a ver.
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gostei muito do filme, há que escrevê-lo. por tudo. ...bem, ter descoberto agora que ando a ler a Prova Final de curso do director de produção também lhe acaba de acrescentar qualquer coisa.
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*apesar d'aquilo que há poder ser tido como aquilo que resta, e não o que restou daquilo, este filme é mais do que aquilo.