20090422

VOLTO JÁ,

lê-se por aí, como curto aviso, em portas de lojas, de repartições e até de pessoas. não trazemos o aviso ao pescoço... mas só porque não podemos. preterimos a palavra escrita e a quem passa oferecemos a espera que sobeja sobre o nosso aviso invisível. o verbo vai-se conjugando em sucessivos pretéritos perfeitos que auguram ser futuro: à porta da loja de retalhos entretemo-nos a bater o pé, à porta da repartição vamos insultando o funcionário.
primeiro cresce o nervoso miúdinho de cada vez que se olha para o dito aviso, afinal promete-se temporário. o reforço da sua brevidade compromete-se com a diferença da ausência permanente que facilitaria dar dois passos atrás, mas não: volto .
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depois, à porta, começamos a ponderar o porquê de se estar ali. pensamos em dar meia volta, ah mas já estivemos este tempo todo... mais um bocadinho. a fazer o que? será que volta? se se finou? (a espera dispõe de tempo para pensar e vamo-nos rindo de todas as hipotéticas urgências que nos impedem de tratar do que está para lá do aviso).
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no fim, resume-se quase sempre à falta de se saber Ser. o egoísmo está escrito na contra-face do aviso. do lado de cá, quem espera faz-se acompanhar do vazio que fica pendurado sobre a porta.
porque foram fazer qualquer coisa que impede a desmultiplicação do Ser, nem dão conta que é mesmo chato ter de virar costas a um volto já. e em cado passo em frente, é inevitável ir olhando para trás mesmo que já se tenha desistido do assunto.