20090105

O PRIMEIRO

nunca me tinha apercebido da mudança de ano como agora.
sinto-me a aqui. aqui. e gosto.
não vou inventar mil e duzentas resoluções, nem cem, nem doze.
.
tomei o primeiro café do ano na gelataria que serve bifanas, fiz a primeira directa (que ingenuamente julgo sempre que me refina o humor). li o primeiro livro. recebi o primeio elogio e esbocei um sorriso e soltei uma gargalhada depois. entreguei o primeiro trabalho dentro do prazo e escrevi numa noite o que tinha para escrever numa noite. e passei a acreditar em deus. ele afinal existe. porque me surpreendeu em um mês e uma semana e eu já tinha deixado de acreditar no seu humor refinado. Thanks babes.
abandono o parêntises, e sabes, não tenho pena nenhuma. nunca fui de me calar ao que me incomoda mesmo quando me sei tolerante. mesmo nas pequenas coisas. e 'tou-me a borrifar para o depois porque li algures uma frase qualquer, dita por Gandhi, acho eu, em que dizia que só haviam dois dias do ano em que não podiamos fazer nada. ontem e amanhã. e não, nao estamos numa de furor existencialista, de carpe diems e tretas dessas. estou cheia de energia mesmo estando nas lonas. se agora estivesse a chover ia apanhar uma molha. porque há muito não apanho e porque gosto. estou aqui porque estou a fazer horas para ir dormir (há coisas que não mudam e ainda bem).
amanhã quando acordar vou comprar um aristo e um bloco. depois vou fazer um jantar para dois e na Quinta-feira vou jantar com muitos. parece. tenho saudades dos dias. do desenho no ar, das mesmas palavras, aquelas que são só para mim. o primeiro abraço foi a ti. as primeiras palavras foram risos. o primeiro dinheiro emprestado foi oferecido e um estranho deixou-me passar à frente na fila do supermercado.
.
o último jantar foi com vocês no Bosque Encantado. o último jantar foi com vocês em Baiona. o último copo de vinho foi pilhado e o último pequeno-almoço trincado em palavras. a última boleia foi ao colo e a última condução embriagada. o último concerto foi em Lisboa e as últimas fotografias nos miradouros. e a última fila era a da missa. a última mensagem foi para ti. os últimos medicamentos nao tinham receita. acabaram.
o último Amor afinal era o mesmo do primeiro.
o último jogo foi na wii e os olhos reconciliaram-se como o coração.
.
e aqui, onde estou, a vida beija-me. porque eu a beijo também.
e não, não vou inventar mil e duzentas resoluções, nem cem, nem doze, simplesmente porque estou bem resolvida.