20081019

ZN

há pessoas que cristalizam em nós. connosco. naquela mesa tínhamos doze anos outra vez. dez, quem sabe. três. pedimos o café como quem antes tirava os trocos do bolso e pedia um supermaxi de alma plena, ingénua,sempre tão plena. surpresa e espanto por estares ali, por parte de cada um que ainda não tinha tomado o seu lugar à mesa. por dentro não parei de sorrir um segundo. por fora também não.
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reconhecer o mesmo olhar de sempre, a gargalhada igual. ehhh, tás cá pá! viajei pelo tempo às tardes de verão, em especial à que julgavas que ias morrer envenenado. ao assassínio experimental das tartarugas. aos jogos de mortal combat que hoje ainda gosto. às ondas do algarve. ao primeiro amor, tão ingénuo. tão pleno, em que te desenhava como noivo e eu noiva, em que aprendi a escrever o teu nome só para poder pôr um mais entre nós.
ihhh, então? ena tás cá, estás bom ou quê? mais um lugar à mesa. olhei para nós compostos com um franco orgulho a percorrer-me o sorriso. sabe-me bem seres -nosco, soube tão bem o teu lugar à nossa mesa. tão bem! por pena minha, não houve tempo de dar forma à matéria... até amanhã.
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há pessoas que cristalizam em nós. connosco. e nós com elas. até amanhã. leste nos meus olhos o que li nos teus? engolimos o café como quem celebra... por sermos tanto uns dos outros. por incrivelmente me saberes tanto a Casa.