não dói preocupo-me sempre mais.
.
aqueles gritos que se choram como facas que cortam a cabeça das galinhas no dia da matança deixam-me até certo ponto aliviada. apesar não conseguir deixar de gritar, sei que um dia vais parar porque fico sem ar nos pulmões. porque os olhos chegam a um ponto em que não aguentam mais o sal das lágrimas. porque a minha cabeça quase explode, e só não explode porque um bocadinho antes os gritos páram. esta dor pára um bocadinho de todas as vezes em que grito porque há um momento em que os pulmões, os olhos e a cabeça cessam relações com a autocomiseração. até lá sangro.
esta dor pára, um dia tu páras.
dilacerante, paraste de sangrar num dia ultrapassado na agenda mais do que gasta. até lá, todas e tantas foram as noites em que te verti, em que não dei pelo tempo chorado. gritei-me até emudecer, até cegar e morrer.
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preocupa-me mais a dor que não dói, que se alimenta do silêncio. tumor que metastiza os pulmões, os olhos e a cabeça. o coração. é um fim sem fim, rejeitar sentir.
esta dor que não dói lambe-nos a pele e cospe-nos em cima. come-nos um bocado de carne todos os dias e ao mesmo tempo rói-nos os ossos. a alma. e nós mirramos incapazes de nos gritar. não tenho voz, ouve-se baixinho, já não tenho voz, ainda mais baixinho. esta dor que não dói é fininha, mal se nota seu mal: por causa disso não gritamos e não choramos. por causa disso ficamos agrilhoados sem correntes. por causa disso somos um corpo permanentemente ressacado. menos feliz, diria...
aqueles gritos que se choram como facas que cortam a cabeça das galinhas no dia da matança deixam-me até certo ponto aliviada. apesar não conseguir deixar de gritar, sei que um dia vais parar porque fico sem ar nos pulmões. porque os olhos chegam a um ponto em que não aguentam mais o sal das lágrimas. porque a minha cabeça quase explode, e só não explode porque um bocadinho antes os gritos páram. esta dor pára um bocadinho de todas as vezes em que grito porque há um momento em que os pulmões, os olhos e a cabeça cessam relações com a autocomiseração. até lá sangro.
esta dor pára, um dia tu páras.
dilacerante, paraste de sangrar num dia ultrapassado na agenda mais do que gasta. até lá, todas e tantas foram as noites em que te verti, em que não dei pelo tempo chorado. gritei-me até emudecer, até cegar e morrer.
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preocupa-me mais a dor que não dói, que se alimenta do silêncio. tumor que metastiza os pulmões, os olhos e a cabeça. o coração. é um fim sem fim, rejeitar sentir.
esta dor que não dói lambe-nos a pele e cospe-nos em cima. come-nos um bocado de carne todos os dias e ao mesmo tempo rói-nos os ossos. a alma. e nós mirramos incapazes de nos gritar. não tenho voz, ouve-se baixinho, já não tenho voz, ainda mais baixinho. esta dor que não dói é fininha, mal se nota seu mal: por causa disso não gritamos e não choramos. por causa disso ficamos agrilhoados sem correntes. por causa disso somos um corpo permanentemente ressacado. menos feliz, diria...