O Acaso nao existe. Existe Reciprocidade e essa sim, dá sentido ao Acaso. Hoje a Reciprocidade foi boa para mim, permitiu que o acaso me enchesse o olhar de palavras dóceis... Ele veio do nada e encheu-me com quase tudo, naquele fugaz acaso... Já sentados, chamou-me de Joaninha e já na sua mesa Joaninha olhava para a janela e já via aquilo que antes já tinha desejado. Já se ia... A Reciprocidade terminou o seu acordo com o acaso, mas antes, deixou-me um beijo... ...claramente humedecido seguido de uma volta onde mais uma carícia me ofereceu, quiçá ao acaso e que eu recebi sem retribuir reciprocidade. ...Apenas aquela que ele conseguisse ler no meu olhar inundado por mais um acaso recíproco.
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23 de Fevereiro de 2004
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a capacidade de olhar para trás só é bem sucedida quando nos gastamos, quando já não há dor para esticar nem coração para encolher. há apenas o lugar de um sorriso em tons de pastel. as cores esbatem-se com o tempo mas quando conjugamos o presente achamos que vamos ser sempre um fresco fresco. achamos que nunca vamos amarelecer. na verdade, acho que parte do luto passa pela capacidade de deixar o sol entrar. só ele, que também se pode chamar tempo, tem a capacidade de amarelecer as nossas tintas. no presente, (também) temos a mania que o fresco não está completo, que falta trabalhar o plano de fundo para dar profundidade ao tema que pintamos... ao Amor. temos acima de tudo insatisfação. procuramos justificação no suporte. nas tintas. no enquadramento e nunca nos justificamos pelo fresco que ja não refresca nada. insistimos. cremos, condicionamos a vontade e incapazes de nos sorrirmos em amarelo, gargalhamos o passado, vivaz, resplandecente e acima de tudo luminoso. iluminamo-lo numa luz que não amarelece, temos em nós a certeza, com néons futuristas. seguramente. esquecemo-nos, ou queremos esquecer, que a luz que amarelece também é aquela que nos aquece. que os néons precisam de corrente eléctrica. é preciso deixar de apanhar a ficha, gastarmo-nos a tentar apanhar a ficha. pela última vez, quando nos levantamos, sentimos em nós um sorriso a brotar - não vem do nada, terminou o seu acordo - é pastel.