O futurismo representa um alicate. Cortou. Cortou com a corrente histórica que de uma forma mais ou menos indirecta sempre evoluiu no sentido da estética clássica. O elo cortado foi o século XX. As propostas futuristas erradicaram séculos da pesada história, procurando algo que vinculasse o propósito da nova estética e reformulasse a gramática arquitectónica.
Rico em termos conceptuais, o movimento futurista prosperou no tempo e no espaço como o primeiro grande gesto de ruptura. Os seus resultados práticos não tiveram o mesmo impacto. As ideias superaram a forma. Cortou e quebrou-se. Foi o movimento do conceito, do conceito do movimento da energia eléctrica que, em termos abstractos, afecta ou possibilita uma diferente percepção dos objectos daquela a que fomos habituados.
No pós-guerra, a depressão económica, e sobretudo a inflação, misturaram as antigas classes, destruíram os hábitos radicados na antiga hierarquia social e favoreceram as tendências renovadoras. O período gerador do futurismo teve um fim abrupto. Marinetti sobreviveu a esse holocausto futurista para lembrar aos seus companheiros e defensores dos mesmos ideais o seu dever de conduzir a geração do pós-guerra à consumação definitiva do patriotismo italiano através do triunfo de um estado fascista.
Ironicamente, depois do conflito, acabou por ser o movimento construtivista russo que realizou muitas das postulações futuristas, tendo um papel de grande relevância nas reconstruções purificadoras tão sonhadas pelo futurismo. Foram os construtivistas que
retomaram as premissas futuristas e as materializaram no domínio das artes. Cortou e foi colado.
Apesar do auguro de prosperidade, a morte prematura de Sant’Elia na guerra impediu que a experiência futurista fosse devidamente desenvolvida. Por isso, o seu tragicamente curto testemunho permaneceu ambíguo e suspenso nas teias do efémero. Ainda levaria algum tempo para que o movimento racionalista italiano começasse a reagir às imagens da Città Nuova, e, mesmo assim, só o faria numa atmosfera de preocupação com a integração de valores modernos nas tradições clássicas da arquitectura italiana. A sua postura foi mais tarde interpretada de outras maneiras diferentes, enquanto antecipação de Gropius e de Corbusier, ou enquanto argumento contra a arquitectura internacional e a favor de uma hipotética tradição autónoma italiana.
A mecanização, interiorizada como o fenómeno que fundamenta a estética do arquitecto futurista, é realçada pelo facto de expressar, em termos abstractos, a euforia funcional que caracteriza o movimento futurista. A nova estética permite mobilizar e produzir funções abstractas revelando-se esse aspecto mais importante do que a criação de novos objectos.
Sant’Elia sistematiza os objectos já existentes, e ao organizá-los atribui-lhes funções elementares que, reunidos entre si, permitem a apreensão do espaço como contínuo. “Os seus projectos transferiram a força concentrada e a dinâmica da corrente eléctrica para uma arquitectura e uma visão das cidades dominadas pela técnica, estabelecendo uma ruptura
radical com as formas e as ideias tradicionais de cidade”12. A casa e a cidade eram entendidas como efémeras, durariam menos que nós. “As características fundamentais da arquitectura futurista deveram ser a impermanência e efemeridade. (…) Cada geração deve construir a sua própria cidade” 13
Apesar de Sant’Elia no texto Messaggio assumir uma postura forte e determinada contra o passado, em termos práticos/materiais a sua atitude nem sempre traduziu os seus momentos de abstracção e conceptualização. Ao analisarmos os seus esquiços verificamos que muitos dos seus desenhos têm reminiscências do passado. Cortou?!
Rico em termos conceptuais, o movimento futurista prosperou no tempo e no espaço como o primeiro grande gesto de ruptura. Os seus resultados práticos não tiveram o mesmo impacto. As ideias superaram a forma. Cortou e quebrou-se. Foi o movimento do conceito, do conceito do movimento da energia eléctrica que, em termos abstractos, afecta ou possibilita uma diferente percepção dos objectos daquela a que fomos habituados.
No pós-guerra, a depressão económica, e sobretudo a inflação, misturaram as antigas classes, destruíram os hábitos radicados na antiga hierarquia social e favoreceram as tendências renovadoras. O período gerador do futurismo teve um fim abrupto. Marinetti sobreviveu a esse holocausto futurista para lembrar aos seus companheiros e defensores dos mesmos ideais o seu dever de conduzir a geração do pós-guerra à consumação definitiva do patriotismo italiano através do triunfo de um estado fascista.
Ironicamente, depois do conflito, acabou por ser o movimento construtivista russo que realizou muitas das postulações futuristas, tendo um papel de grande relevância nas reconstruções purificadoras tão sonhadas pelo futurismo. Foram os construtivistas que
retomaram as premissas futuristas e as materializaram no domínio das artes. Cortou e foi colado.
Apesar do auguro de prosperidade, a morte prematura de Sant’Elia na guerra impediu que a experiência futurista fosse devidamente desenvolvida. Por isso, o seu tragicamente curto testemunho permaneceu ambíguo e suspenso nas teias do efémero. Ainda levaria algum tempo para que o movimento racionalista italiano começasse a reagir às imagens da Città Nuova, e, mesmo assim, só o faria numa atmosfera de preocupação com a integração de valores modernos nas tradições clássicas da arquitectura italiana. A sua postura foi mais tarde interpretada de outras maneiras diferentes, enquanto antecipação de Gropius e de Corbusier, ou enquanto argumento contra a arquitectura internacional e a favor de uma hipotética tradição autónoma italiana.
A mecanização, interiorizada como o fenómeno que fundamenta a estética do arquitecto futurista, é realçada pelo facto de expressar, em termos abstractos, a euforia funcional que caracteriza o movimento futurista. A nova estética permite mobilizar e produzir funções abstractas revelando-se esse aspecto mais importante do que a criação de novos objectos.
Sant’Elia sistematiza os objectos já existentes, e ao organizá-los atribui-lhes funções elementares que, reunidos entre si, permitem a apreensão do espaço como contínuo. “Os seus projectos transferiram a força concentrada e a dinâmica da corrente eléctrica para uma arquitectura e uma visão das cidades dominadas pela técnica, estabelecendo uma ruptura
radical com as formas e as ideias tradicionais de cidade”12. A casa e a cidade eram entendidas como efémeras, durariam menos que nós. “As características fundamentais da arquitectura futurista deveram ser a impermanência e efemeridade. (…) Cada geração deve construir a sua própria cidade” 13
Apesar de Sant’Elia no texto Messaggio assumir uma postura forte e determinada contra o passado, em termos práticos/materiais a sua atitude nem sempre traduziu os seus momentos de abstracção e conceptualização. Ao analisarmos os seus esquiços verificamos que muitos dos seus desenhos têm reminiscências do passado. Cortou?!