20080728

o telefonema

não sabia o quanto estava vazia, até agora, não sabia. não aprofundei as evidências por vontade de não pensar. até chegar ao teu caminho hoje, não sabia.
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foi agora, no conforto da tua voz, dessa candura que não finda, que percebi um bocadinho o tamanho deste agora que está por vir. são tantos os caminhos, decisões implícitas, opções explícitas. são tantas as coisas que agora parece tudo tão turvo. tudo está disforme. não sabemos mesmo o que vem aí...sabemo-nos com vontade. apenas. e agora é um apenas muito pequenino, uma reles vontade apenas. e há um lado que se enfia na areia, como o mundo lhe ensinou durante seis anos, a abstrair-se de tudo o que está á volta e a concentrar-se somente no essencial. e agora o essencial está acima da areia. e eu sinto-me vazia. não é minha prática a indecisão, mas olho à volta e todas as casas estão arrumadas. e até as que estão aparentemente arrumadas estão pelo menos implantadas nalgum lugar. já sabem ou já previram as entradas de luz e nessas meias-paredes levantadas há o projecto das portas e das janelas. eu não sei coisa nenhuma... não trago comigo o rolo de esquiço, não tenho sequer uma bic no bolso. não ando com coisa nenhuma.
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e não me posso dizer angustiada. é mesmo vazia, sem planos e sem sonhos. não há nada na linha do horizonte, tudo está incerto. até as garantias estão incertas. falhando o que nos segura ao chão, torna-se impossível fazer-me ao largo, desenhar o largo, por-me no largo, ao largo. ir.
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estes dias têm sido difíceis e eu nem me tinha apercebido porquê. até agora. até falar contigo.
a única coisa que agora me descansa um bocadinho é saber que me compreendes tão bem. que nos compreendemos tão bem. e que é o nosso Amor e a forma como cuidamos dele que nos vai ajudar a encontrar convicção para a escolhas que hão-de vir, coragem para as metas que vamos traçar e espaço... para ficarmos sempre mais próximas do essencial.
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NitaMary Obrigada*