É um filme que desafia o olhar, pois questiona a nossa percepção do cinema, frustra a nossa expectativa do que deva ser um filme. Já dizia mestre Jean-Luc: "um filme deve ter início, meio e fim. Mas não necessariamente nessa ordem". (...) Não há como contar a história do filme. Não por não haver história, mas porque esta não é contada como se esperaria, não se desenrola de modo linear e claro. Como na vida, as coisas vão acontecendo, soltas, sem que se possa concatenar uma linha narrativa entre elas na hora em que acontecem. Não se pode descrever um adulto assim como não se pode entender o presente. Somente quando tudo aconteceu, quando de certa forma já é tarde, é que se consegue construir algo, dar sentido ao todo. E quando ao final tudo ocorreu, não é a história de Edgard, sua busca, sua tentativa de criar uma obra a respeito de um momento do amor que assoma e sim as reflexões que vão tecendo ao longo do filme uma visão sobre o mundo, o papel da História, o lugar do homem.
Carim Azeddine
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Gosto do que este senhor faz no e com o cinema.