20080414

OUTRA VEZ

dizem que somos ciclícos. concordo. somos sempre a forma mais fácil de sermos, a que nos dá menos trabalho, a mais evidente, espontânea. é mais fácil sermos mal humorados quando acordamos. é mais fácil procurar quando não somos pacientes na espera, é mais fácil deixarmo-nos levar pela inibição, é mais fácil sermos chico-espertos para que não nos leiam a insegurança e é mais fácil sermos riso nos dias em que não nos apetece falar de dentro para fora. é mais fácil. nada a fazer. tudo a fazer! podemos. podemos trabalhar e lutar, de fora para dentro. não se trata de perder a identidade, trata-se de sairmos desse lugar confortável que a identidade também criou. quando falamos de identidade, às vezes esquecemo-nos que somos capazes de outras coisas e são outras coisas ou outras pessoas que despoletam essas outras coisas em nós. e regra geral, em jeito optimista, um nós melhor. a capacidade de nos superarmos, de sermos também o que está no pé e não só à mão, é a prova que rompemos os ciclos, os tais ciclos fáceis. e nesse momento de confronto, vemos que mudámos. mais uma vez, em jeito optimista, para melhor (acredito que na vida que é soma, nunca subtracção). esses novos lugares são muitas vezes, também, o contrário de aventura, geram desconfiança e ficamos desconfortáveis. essa ausência de conforto é necessária. é necessária para nos apercebermos do que também somos, para termos consciência das fragilidades, para sermos aquilo que também somos e não apenas aquilo somos facilmente.
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às vezes não damos conta que entramos constantemente no mesmo ciclo. é tão fácil... só nos apercebemos quando estamos perto do mesmo fim e do fiel "outra vez". e é também para isso que servem os ciclos, para nos deixar em alerta. quando chegamos muitas vezes ao fim do mesmo ciclo e repetimos muitas vezes "outra vez", são as outras partes de nós a pedirem para ser ouvidas.