exactamente assim: saí da efectiva segunda casa para a primeira. o dia não havia rompido. um vulto passou de perto longe e temi uma aproximação forçada. acelerei o passo até ao carro e à segunda tentativa entrei no carro e tranquei-me dentro. estranhei o ângulo do assento. refugiada no medo, o vulto seguiu e aprontei-me a rodar a chave. que merda, porque raio a ignição não pega? porque raio a ignição não pega? porque raio a ignição não pega? perguntei-me se estaria mesmo sozinha. talvez estivesse... não. tenho de voltar para trás, pedir boleia para casa já que a chave ta fodida. há muito tempo andava a adivinhar isto. sozinha? saio do carro mas deixo a minha vida lá dentro. rodo a chave e tranco o carro. tranco o carro. olhei e percebi que não era o meu carro!!! como é possível não ser o meu carro se entrei? não é mesmo o meu carro!! merda, não é o meu carro!! o meu portátil estava dentro de um carro que não o meu. como é que esta merda é possível? Ajuda chegou. rodamos a chave. rerrodamos a chave. rerrodamos a chave nas três fechaduras. zero. ZERO! ZERO!! tinha uma apresentação daí a um par de horas e a única pessoa que tinha o ficheiro era o carro no qual entrei. o que é que fazemos? Ligo à polícia e fizeram a gentileza de não se desmancharem a rir enquanto expliquei aflita. já mandamos aí um carro patrulha mas olhe que não devemos fazer muito por si... com um trabalho por acabar com um trabalho acabado e sem meios pa trabalhar atingi mesmo o nirvana. merda!! merda!! merda!! como é possível ser tão estútipa?! cabrão do vulto. cabrão do medo. cabra da chave que não voltou a abrir. uma hora depois fardas encorpadas em homens testemunharam o meu pânico. pânico. sei que gritei de êxtase quando localizaram o futuro engenheiro e me comunicaram que vinha abrir o carro dele onde estava a minha vida.
.
se há várias formas de adrenalina, atesto que esta funciona. rápida, eficaz e quase mortífera. fiquei a saber que não sou cardíaca. e apresentei o trabalho antes do almoço.